¯\_(ツ)_/¯

PRA VOCÊ QUE GOSTA DE BICHO FOFO

EU JÁ VI ESSE VÍDEO UMAS TRÊS QUATRO VEZES

https://www.youtube.com/watch?v=Wz7GqNCkctU

Hoje eu estou com a cabeça nebulosa, como soe ser ultimamente (acho que fritei meu cérebro real naquela época em que eu não dormia). Mas, estranhamente, o corpo sapeca. Lógica, matemática? Terrível. Mas uma caminhada de ida e volta, somando uma hora, até o supermercado mais próximo? Aw yiss!

Uma observação interessante: parece que o humor acompanha o corpo, e não a mente.

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Tem várias coisas que eu queria fazer, mas exigem a combinação exata de: ter tempo + ter a cabeça boa + estar de bom humor. Tá difícil todos os três ao mesmo tempo. Queria, entre outras coisas, ajeitar minha cápsula Gemini, e responder a uma discussão sobre Creative Commons e copyleft.

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Eu acho muito gozado pessoal falando mal do Elon Musk. Acho gozado porque nunca vi ninguém falando bem de Elon Musk. Não sei qual é a relevância desse cara. Simpatizo, porque concentração de riqueza é ruim. Mas ainda acho gozado.

Mas agora ele comprou o Twitter, e alguns dos meus amigos mais ferozmente anticapitalistas são tuiteiros. Quero ver se eles vão sair. Acho que não.

Mas é uma oportunidade boa pra levantar a bandeira das alternativas. Eu boto fé em blogs + RSS. O que mais falta nessa equação é o RSS, que acho que geral não conhece, e tem medo de ser complicado. Eu mesmo não tenho ajudado nesse aspecto. Tô querendo mudar do Akregator pro QuiteRSS, e aí vou poder ajudar mais a galere.

Claro que tem ainda um outro aspecto, mais social media modernex, que os blogs não cobrem: curtidas e compartilhamentos têm que ser substituídos por algo mais artesanal. Tem gente que vai sentir falta do modernex. Pra eles existem coisas como Mastodon (e pros meus amigos comunistas recomendo em especial a ursal.zone). Mas eu pessoalmente não uso, e não tô em posição de ajudar ninguém.

E ainda me parece que, sim, Mastodon é mais simples de começar a usar do que blogs+RSS. Mas a tecnologia por trás, e as implicações de segurança e privacidade são mais complicadas.

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Continuo jogando SS14 ocasionalmente. Apareceu até um servidor BR, mas intermitente, só por alguns dias. Mas eu fiquei várias horas no servidor testando algumas coisas, e não apareceu mais ninguém. O jogo precisa de uma massa crítica grande pra rodar legal, e a pouca população que tem se concentra num dos servidores oficiais.

Por um lado, me empolga muito a idéia de poder jogar falando em fucking português. Passo muito tempo na internet anglófona, e tenho saudades da minha língua. Por outro lado, nunca conheci uma comunidade brasileira online que prestasse. Mesmo as gringas são frequentemente tóxicas, mas lá ainda se acha algumas comunidades gracinha. Nos BR, nunca vi. E o SS14 tem uma dependência aguda de boa moderação. Sem moderação, o negócio desmorona fácil demais. E agora a moda é Discord, galera só se apresenta e se organiza via Discord. Eu nem sei como que é o Discord, só sei que é um walled garden daqueles bem walled mesmo, nem tenta parecer que não é, e eu aprendi a ficar longe dessas bostas. Vou evitar o quanto puder.

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Houve muitas tentativas de reimplementar o SS13 que foram caindo pelo caminho. Hoje, incrivelmente, tem três em andamento: Space Station 14, Unity Station, e Space Station 3D. Não vou falar do 3D porque é o mais diferentão, que vai mais além de uma simples reimplementação, e parece andar mais devagar. E porque não sei quase nada sobre, hue.

O US tenta reimplementar o jogo mais fielmente, é o que teve o seu desenvolvimento mais rápido, e era o mais popular no começo. O SS14 tenta fazer algumas coisas diferentes em termos de interface e física, mas ainda usa os gráficos do original. Esse teve um desenvolvimento mais lento, porém, digamos, mais confiável.

Eu nem considero jogar o US por uma série de motivos. Unity, proprietário e pesadão, o que é ruim por si só, mas aparentemente também tem consequências problemáticas pro desenvolvimento e pra segurança; comunidade que só se articula via Discord. Enquanto que o SS14 usa uma engine própria, 100% livre, tem um site próprio, fórum, wiki. Muito mais bem apresentado. Os relatórios de desenvolvimento que os caras postavam muito antes de o jogo ser realmente jogável passam uma confiança enorme.

Não sei se por isso, mas a comunidade acabou caindo mais pro lado do SS14. Digamos que, em termos de interesse, 2/3 da comunidade aposta no SS14, e 1/3 no US. Em termos de número real de jogadores, entra a questão da massa crítica: sempre tem pelo menos umas 40 pessoas jogando SS14, e frequentemente o dobro disso, enquanto que os servidores do US estão frequentemente vazios, e chegam a ter o que, quando cheios? 20? 30?

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O Reddit é um cu, mas tem muita coisa boa lá (ah, essa web moderna). Particularmente a interface me ofende de tão desconfortável. Descobri recentemente uma ferramenta bacanuda pra acessar o Reddit. Se chama rtv, é uma ferramenta de linha de comando. Gostei, é simples, mais ou menos intuitiva. Fui saber mais, e descobri que o autor abandonou o desenvolvimento, porque o Reddit é tóxico e ele não quer continuar apoiando, e que eventualmente teria mudanças a API do Reddit e a ferramenta pararia de funcionar.

Dois ou três dias depois que eu comecei a usar o rtv, não deu outra, começou a dar ruim. Não consigo mais navegar as páginas iniciais dos subreddits. Ainda dá pra acessar tópicos indivualmente, então ainda tá bom demais. Mas recomendo. Acho que tem pra Linux só. =P

Um adendo importante ao post anterior:

Eu sei que eu reclamo que não tem leitor de RSS que preste, mas não é bem verdade. É que eu quero certas funcionalidades, que não tem em todo lugar, mas acredito que a maioria das pessoas vai preferir um leitor o mais simples possível.

Algo como o QuiteRSS, por exemplo, que parece ser popular.

QuiteRSS

Nunca gostei do Facebook. Usei por anos, por pressão social, e continuei odiando. Finalmente deletei, foi uma delícia, nunca fez falta.

Eu pessoalmente acho que o Facebook foi uma das piores coisas que já aconteceram com a internet. É um câncer que está matando a web. Mas isso tá ligado a valores pessoais, que eu sei que nem todo mundo compartilha. Aí você tem documentários sobre o Facebook, denunciando a manipulação e o tráfico de dados. Também é uma questão de valores pessoais – todo mundo se sente imune à manipulação, e tem gente que não se incomoda, por princípio, com a perda de privacidade, e às vezes até GOSTA de publicidade direcionada.

Agora, meus amigos, vocês têm um motivo irrefutável pra boicotarem o Facebook.

Em 2017, a plataforma foi usada pra promover um genocídio em Myanmar, inclusive com publicidade paga. O Facebook pediu desculpas e disse que ia melhorar seus filtros. Agora, em 2022, uma organização de direitos humanos fez um teste, e viu que era ainda possível fazer anúncios genocidas. Na verdade, a organização conseguiu comprar anúncios com os mesmíssimos títulos que tinham sido usados em 2017. Coisa do tipo “temos que matar mais”.

Uma coisa é os filtros terem dificuldade em filtrar títulos parecidos. Outra coisa é simplesmente não filtrar o mínimo que se espera que filtrasse.

Facebook's genocide filters are really, really bad

Não importa se é incompetência, ou conivência (publicidade política maligna dá dinheiro). Usar o Facebook significa financiar genocídios.

Se você usa o Facebook, em qualquer medida, você financia genocídios.

Mas então, o que fazer? Quais são as alternativas?

A opção mais simples é voltar às tecnologias clássicas da web. Isso mesmo, o bom e velho blog! Pras páginas não pessoais (como lojas, restaurantes, todo tipo de organização), não tem coisa melhor que um blog bem categorizadinho. Pra páginas pessoais, um blog largadão quebra um galho. E sei que é possível fazer blogs privados... mas eu mesmo nunca fiz, teria que ver isso aí.

“Ain, mas é tão conveniente seguir as páginas e pessoas do Facebook.” Pode ser. Mas o Facebook não inventou isso de seguir, não. Antes dele a gente já tinha uma tecnologia, que praticamente todo site usava, que fazia a mesma coisa. E olha só! A maioria dos sites AINDA USA essa tecnologia (mas muitas vezes fica meio escondidinha). É o chamado RSS.

Não sei por que, mas parece que o RSS nunca “pegou” no Brasil. Acho que a gente não tinha muito acesso durante a era de ouro da Web, quando isso era mais usado. Mas basicamente, é um padrão de comunicação, um protocolo. Você tem um programinha no seu computador, um leitor de RSS, e tem um link no site que você quer seguir. Você copia e cola no seu leitor, e agora você recebe todas as atualizações do site ou da página, dentro do seu leitor. Voilà!

Preciso comentar en passant que existem versões diferentes de RSS, e tem também o Atom, que é mais recente e faz mais ou menos a mesma coisa, e as pessoas ainda também chamam o Atom de RSS... mas você como usuário não precisa saber de nada disso! É só colar o feed no seu leitor, e ele lê.

Tudo tem RSS. Youtube? Tem. Tumblr? Tem. Qualquer site feito com Wordpress (ou seja, a maioria dos sites)? Tem, inclusive tem múltiplos se o site for bem categorizado, pra você escolher só o que quer ler. Sei lá, cara, quase tudo tem um RSS escondido. Meio chato isso de esconderem, né? Mas tudo dá pra achar. E quem sabe se o RSS voltar à moda, ele não passa a ganhar mais destaque.

Mas ok, talvez o combo blogs+RSS não atenda ao seu desejo por curtidas, seguidores, compartilhamentos. Também existem redes sociais livres e federadas. Livre significa que usa software livre. Federado significa que é, em certa medida, decentralizado, e você pode ter uma conta em um site, e se comunicar com gente que tem conta em outro site – como o bom e velho e-mail. Tanto a liberdade e a federação são importantes pra evitar justamente a concentração de poder que cria os Facebooks da vida.

O problema da liberdade é que ela gera diversidade, e diversidade gera complexidade. Não é que as ferramentas livres e protocolos abertos sejam mais complicados, mas é que você tem muitas opções. Deus me livre de ter opções! A federação também complica. Você vai fazer a conta em qual servidor? Quais são os termos de uso? Será que eu posso confiar nesses caras?

Eu mesmo não explorei tão a fundo a questão das redes sociais. Na época em que eu me interessava, a coisa ainda era meio bagunça. Hoje em dia, falo com segurança, a coisa evoluiu MUITO! De um lado, você tem o Diaspora, que é talvez a rede social livre e federada mais antiga, que veio com a intenção de substituir o Facebook. De outro lado, tem um movimento mais recente pela criação de um protocolo comum que possa ser usado por redes diferentes, o ActivityPub. Isso significa que alguém que tenha conta num servidor de Mastodon (que lembra o Twitter) pode seguir e se comunicar com alguém que tem uma conta num servidor de PixelFed (que lembra Instagram). Qual é o nível de compatibilidade? Não sei! Complicações!

É perfeitamente compreensível que você não se sinta capaz de romper com o Facebook de uma vez. O primeiro passo é começar a considerar as alternativas. Quando você achar algo que te agrade, explique a situação pra alguns amigos, tente trazê-los pro seu lado. Um a um. Não tem outro jeito. Gandhi andava de aldeia em aldeia conversando com o povo sobre resistência pacífica, desobediência civil, saneamento, tolerância religiosa... Não tem como você esperar que haja um levante, que haja uma onda que leve todos os seus amigos pra outro lugar, e você vá junto. Você tem que começar e dar o exemplo.


Mas tem mais. Instagram também é do Facebook, também tem que boicotar. E também – oh não! – o WhatsApp!

Não que eu ache desagradável boicotar o WhatsApp, mas a dependência aí é muito mais forte. Eu mesmo não vou conseguir fazer isso de uma vez só.

Primeiro passo, estudar melhor a treta de Myanmar, a participação do Facebook, e o modelo de negócios do Facebook. Preciso ter tudo na ponta da língua pra poder me explicar pros outros.

O segundo e terceiro passos que pretendo dar não são estritamente necessários, e provavelmente não vão ser úteis, mas eu acho importantes.

Segundo: fazer uma conta XMPP. O XMPP é o e-mail do chats, é antigo e continua firme e forte, apesar de minoritário. No começo, sofria de grande fragmentação (era moda no começo dos anos 2000 criar formatos e protocolos abertos e eXtensíveis, e ninguém implementa todas as extensões). Hoje em dia existe um certo padrão básico, e é fácil achar um servidor que o siga. Ainda é difícil achar clientes que façam tudo, mas muitos fazem quase tudo, e clientes web são uma opção conveniente pra quem não quer ter que pensar nisso.

Terceiro: aprender a usar PGP, pra ter criptografia ponta-a-ponta no e-mail.

Não me iludo; sei que não vou convencer outras pessoas a usar XMPP ou PGP. Mas essa é claramente pra mim a melhor opção, e eu preciso acender esse farol.

Vou acabar usando Telegram e/ou e-mail sem PGP. O Telegram me obriga a escolher entre privacidade e conveniência. E-mail sem PGP é o pior em termos de privacidade, e tem ganhos e perdas em relação à conveniência. Mas não sinto que a perda seja grande, comparando com a privacidade e conveniência medíocres do WhatsApp.

Antes eu dizia: o Akregator é pesadão, mas é o único leitor de RSS que eu gostei, super configurável e intuitivo.

Hoje eu digo: o Akregator é bugadaço, caindo aos pedaços, mas ainda é melhor do que a concorrência.

E não é o primeiro programa do KDE que eu vejo que parece muito bom, mas só quando visto de longe.

=(

Veio um povo fazer reza aqui em casa e é tipo

https://www.youtube.com/watch?v=YzlSaK13mCE

Desculpa avisar assim em cima da hora, mas tá rolando o bundle da Ucrânia no Itch. Mínimo de dez dólares, tudo pra caridade, apoio médico e apoio psicológico pras crianças.

Tem Skatebirb, muito Troika, Baba Is You, Superhot, Towerfall, entre outras coisas tope.

https://itch.io/b/1316/bundle-for-ukraine

VAI RÁPIDO, SÓ RESTAM ONZE HORAS

Ok, começou a fase de indicações do prêmio de melhor abstrato de 2021: https://boardgamegeek.com/geeklist/296974/best-combinatorial-2-player-game-2021-nominations

Acabou de começar, mas ouso já dizer quem vai ganhar: é o Meridians, do Kanare Kato. Não teve um filho da puta que não achou esse jogo a coisa mais linda.

Num possível segundo lugar, Dodo, de Mark Steere, e Lielow, de Alek Erickson e Michael Amundsen. Dodo é um jogo que divide opiniões, entre “não tem nada aí, isso nem é jogo” e “é impressionante o quanto parece que não tem nada mas na verdade tem umas paradas bem bacanas”. Lielow é um que pra mim parecia muito pequeno e rígido, até eu ler um post recente analisando o fim de uma partida. Esse também tem mais do que parece.

https://boardgamegeek.com/thread/2810557/fun-tactic-lielow

Este ano não vou tentar fazer cobertura. Primeiro que não tenho pique, segundo que tem um bocado de coisas indigestas (sim, essa pira de linhas de visão à la Tumbleweed).

A Mamma Bruschetta envelheceu uns vinte anos trabalhando no SBT.

O que me protege das promoções do GOG é o meu PC ser muito fraco.