TeDomum Write

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from ¯\_(ツ)_/¯

“Parece que o melhor seria largar todas as redes sociais pq só bad atrás de bad”

Não consegui responder de maneira satisfatória num tweet, então vim pro blog.

Uma coisa que acho que a gente não observa muito é o modo como o meio de comunicação afeta a comunicação. O Twitter promove toxicidade de várias maneiras diferentes.

O primeiro é que ele promove a má qualidade das mensagens. Tudo tem que ser o mais sucinto possível, ou então ficar picotado e espalhado entre mensagens diferentes. Então mesmo quando a comunicação é bem intencionada, se torna fragmentada, comprimida, elíptica. Quem escreve fica frustrado e desconta no interlocutor. Quem lê sente a animosidade e/ou acha que o outro é burro. Tudo vira hostilidade.

A comunicação no Twitter pressupõe imediatismo. A forma como o Twitter estrutura a comunicação promove a impulsividade de um jeito que a gente nem percebe. Só quem toma consciência disso e luta ativamente contra é que se protege dessa armadilha. E o imediatismo associado à má qualidade só amplifica o desastre dos dois.

O Twitter funciona principalmente como um monte de pequenos palcos. Até aí, nada demais. Mas não há quase barreira nenhuma pra interação. Combinando com a impulsividade e mensagens truncadas, já não dá bom. Isso quando uma resposta é só uma resposta. Mas muitas vezes a interação não toma forma de resposta, mas de um comentário cínico sobre o tweet de outro, direcionada não ao outro, mas à própria platéia. E tudo sujeito a retweets e likes – é uma competição de popularidade. Aqui é preciso olhar com atenção, porque são muitos elementos que não seriam ruins – o palco pessoal, a resposta, a citação – mas se tornam cínicos, tóxicos, no contexto do microblog convulsivo.

Mas não é só isso! Tem todo o esquema de “promover engajamento”. O Twitter quer manter você grudado nele, e por isso chama a sua atenção pra coisas que chamam a atenção. Coisas que você não buscaria, mas é difícil não olhar quando alguém coloca na sua frente. Frequentemente isso significa coisas chocantes, ultrajantes. Pode ser algo que aparece nos Trending Topics, ou algo que o algoritmo joga no seu feed. E mesmo que você consiga esconder os TTs e desligar o algoritmo de recomendação do Twitter, seus amigos e perfis que você segue podem levar isso tudo até você de qualquer jeito.

Todas essas questões estruturais promovem certos comportamentos, e esses comportamentos viram uma cultura, que se reproduz por conta própria.

Daí tem gente que é arrastada pro meio de guerras de popularidade pra ver quem grita mais alto. Tem gente que se vê obrigada a usar o Twitter pra acompanhar fulano e ciclano, e fica angustiada. Tem gente que gosta mesmo de dedo no cu e gritaria e acha o Twitter ótimo.

Veja bem, a bad existe. Coisas ruins acontecem. Mas a mídia pode dar um tamanho maior pra essas coisas. É uma ilusão, mas ao mesmo tempo é real. Não só aquilo fica mais visível, ampliado por uma lente, mas fica maior no coração das pessoas também.

. . .

Mas então o quê? As pessoas precisam se comunicar!

Muita gente que gostava do Twitter, mas ficou de saco cheio, mudou pro Mastodon. É bem melhor em muitos aspectos. É mais parecido com um Twitter raíz, pré-algoritmos, mas com um limite de caracteres tipicamente maior. Mas ainda pode promover comunicação débil e imediatista, e talvez carregar alguma cultura tuiteira. Tem muitas outras diferenças que seria importante ponderar, mas não cabe aqui. Até porque eu não uso e não recomendo.

Pra mim o ideal são blogs e RSS.

No seu blog, você não tem limite de caracteres. Pode escrever bem. Pode parar pra pensar. Pode perceber que nem precisa comentar determinado assunto, bater palma pra maluco dançar.

Nem precisa colocar caixa de comentários – se fulano tiver algo de relevante pra dizer, ele pode fazer o mínimo de esforço e te mandar um e-mail. Caixas de comentários podem dar uma impressão de que é um espaço público, um palquinho do qual a pessoa pode se apropriar. Mandar um e-mail é algo mais pessoal, você sabe que tá conversando com uma pessoa. As respostas vão ser mais ponderadas do que o que você vai ter no Twitter. Se você receber algo que valha a pena compartilhar, pode fazê-lo num post novo.

Existem serviços de blog gratuitos e decentes, como a hospedagem Wordpress oferecida por muitos dos CHATONS. Se isso não lhe parecer conveniente, e se você acha tolerável a perda de privacidade típica das redes sociais, pode até usar o serviço do Wordpress.com. Porra, até o Blogspot! (não, faz isso não, Blogspot é ruinzinho, e é da Google)

(Vou salientar aqui que existe a tecnologia Wordpress, representada pelo Wordpress.org, e o serviço de hospedagem do Wordpress.com. Muitos serviços oferecem a tecnologia Wordpress. O Wordpress.com é só um serviço específico.)

(Este blog que você está lendo agora é hospedado por um CHATON, mas não é Wordpress. É Write. Não sei se recomendo o Write. O Wordpress pode ser muito cheio de coisinha, mas é razoavelmente intuitivo e oferece as funções que as pessoas querem. O Write é limitado sem ser realmente simples. Se você quer algo mais elegante e “mão na massa”, uma cápsula Gemini talvez fosse o ideal.)

. . .

E o outro lado da moeda é: como que você vai acompanhar os blogs dos outros? Tem que olhar cada blog e site periodicamente?

Às vezes eu acho que a gente aqui no Burajiru não pegou a Era de Ouro da Internet, e a gente não tem certas referências. Como o RSS.

Existe um negócio chamado feed RSS. É uma tecnologia já antiga da Web, que foi feita justamente pra você poder acompanhar as novidades de sites e blogs. Aqui parece que é pouco conhecida, e mesmo na gringa é démodé. Pode parecer uma tecnologia abandonada, mas isso não é bem verdade. Só meia verdade. A maioria dos sites oferece feeds, mas poucos divulgam. A maioria fica escondido e você tem que saber achar. E você tem que achar um leitor de feeds que te agrade, o que não tá tão fácil. É um pouco mais complicado do que clicar num botão “follow” numa rede social X.

Primeiro, tem que ter um leitor de feeds. As opções são, ao mesmo tempo, limitadas e diversas. Eu uso o Akregator. Ele me dá bastante liberdade na configuração e organização, e ao mesmo tempo a interface é simples e intuitiva. Mas ele tem uns bugs, é desnecessariamente pesado (porque é do KDE), e só tem pra Linux, então não posso recomendar pra maioria dos meus amigos. Testei algumas opções multiplataforma, mas até o momento não tem nenhuma que eu sinta que possa recomendar pra geral.

Tem gente que vai querer poder acessar sua coleção de feeds de mais de um aparelho, e isso geralmente implica usar um serviço de terceiros, o que implica alguma perda de privacidade. Esse tipo de cliente Web parece ser mais popular – provavelmente mais pelo zeitgeist do que por serem melhores ou mais úteis – mas pra mim não interessa, então desconheço. Já vi recomendarem uma extensão do Firefox, que a própria Mozilla recomenda, inclusive, o Feedbroo, mas é proprietária, e eu broxo.

(Vale a pena abrir um parêntesis aqui: o RSS tem mais de uma versão, e tem também o Atom, que é um padrão de feeds que veio depois, e às vezes a gente mistura e chama tudo de RSS, mas às vezes não. Nada disso importa pro usuário. Qualquer leitor de feeds lê todos os tipos de RSS e Atom.)

Mas vamos lá, vamos supor que você achou um leitor de RSS que te agrade. Yay! Você quer receber as atualizações de blogs e sites de notícias. O feed vem na forma de um endereço, uma URL, que você copia e cola no seu leitor. Alguns sites fazem questão de divulgar, basta você procurar na página pelas palavras-chave “feed”, “RSS” ou “atualizações”, coisa assim. Às vezes eles usam um ícone laranja com um desenho de um pontinho e duas linhas curvas pra indicar o feed, mas às vezes símbolos parecidos são usados pra outras coisas. Se você não achar, não quer dizer que não tenha.

A maioria dos sites é feita com Wordpress, hoje em dia, e tem feeds. É só você adicionar “/feed” ao nome do site, que ele te dá um feed de todas os posts novos. Se o site ou blog é dividido em categorias, você pode abrir a página da categoria que quiser, adicionar “/feed”, e receber um feed só daquela categoria.

Blogs do Blogspot (eca) te dão um feed se você adicionar “/feeds/posts/default” ao endereço.

Toda página do tumblr te dá um feed se você adicionar “/rss” ao endereço.

Perfis do Mastodon te dão um feed se você adicionar “.rss” ao endereço (acredito que isso seja universal). Os feeds RSS do Mastodon são ruins, mas existem, o que já é alguma coisa.

Até canais do YouTube geram feeds! É só você copiar o endereço e colar no seu leitor, que ele acha o feed pra você. No Akregator pelo menos é assim que funciona. Também tem como pegar feeds de playlists do YT, mas é mais complicado e não funciona tão bem. Feeds de playlists do youtube só te dão os 15 itens do topo da lista, então só funciona se a playlist for bem curta, ou se os vídeos mais novos forem adicionados ao topo da lista (me parece que adicionar ao fim da lista é mais comum). Você tem que achar o código de identificação da lista, que é uma sequência de números e letras na URL. Exemplos:

https://www.youtube.com/playlist?list=CódigoDeIdentificaçãoDaPlaylist
https://www.youtube.com/watch?v=CódigoDeIdentificaçãoDoVídeo&list=CódigoDeIdentificaçãoDaPlaylist&index=1

Aí você copia o código da lista e cola no lugar correspondente nesse endereço:

https://www.youtube.com/feeds/videos.xml?playlist_id=CódigoDeIdentificaçãoDaPlaylist

E voilà!

Se tudo isso falhar, olhe o código-fonte da página. Procure por “feed”, “rss”, ou “atom”, talvez até “.xml”. Às vezes só assim pra achar o feed.

E claro, tem página que não tem feed. Paciência.

E cada feed é diferente. Alguns feeds te dão todo o texto do post. Alguns te dão só um parágrafo, e um link pra página com o texto completo. Alguns são só o link. Alguns feeds te oferecem só os posts mais recentes, uns 10, 15, 20. Alguns te dão todo o histórico do blog. Alguns blogs são atualizados só de vez em quando, enquanto que sites de notícias costumam publicar várias todo dia.

Se você quiser manter as coisas simples, pode atualizar todos os feeds uma vez por dia. Mas eu gosto de otimizar. Eu divido os feeds em pastas diferentes. Algumas coisas que eu acho mais importantes eu configuro pra atualizar automática e periodicamente, mais ou menos de acordo com a frequência de publicação. Outras, menos importantes, eu atualizo manualmente, de vez em quando, e configuro pra manter só um número pequeno de posts mais recentes. É um empoderamento que nenhuma rede social me oferece.

Como eu disse, você pode manter as coisas simples. Dependendo do seu leitor RSS, talvez você nem tenha tanta liberdade de configuração. Mas eu me preocupo que atualizar certos feeds diariamente pode ser dispendioso. O site do Drew DeVault, por exemplo. O feed dele contém basicamente TODO O SITE, e pesa alguns mega, que eu baixo alguns toda vez que atualizo o feed. Tudo bem que algumas páginas da Web pesam isso, mas não havendo necessidade, prefiro não abusar. Ou então tem sites de notícias que... caralho, eu não vou ler todas essas notícias. Também acho interessante não atualizar com tanta frequência. Mas isso é uma coisa que você pode ir vendo, ir ajustando.

. . .

Ahm, às vezes o buraco é mais embaixo. Eu passei algumas horas sentado escrevendo este post. Às vezes a pessoa só quer comentar alguma coisa, desabafar, compartilhar algo sem elaborar muito, responder algo que um amigo publicou, rapidão. E aí um microblog como Twitter ou Mastodon pode acabar servindo melhor. Eu às vezes sinto a tentação de ter uma conta de Mastodon em paralelo com o blog, só pras coisas mais bobas e fugazes. Coisas que eu sinto que ficam meio deslocadas no blog. Não sei.

E às vezes também a gente não quer ler um textão, só quer sei lá, ver o que tá rolando, o que os amigos tão aprontando, ver memes, gifs de gatinhos. Aí complica, porque essa é a hora em que a gente tá vulnerável. A hora que a gente tá cansado, a cognição tá baixa, e a gente não sabe lidar bem com as coisas. Nem sempre o que a rede social típica vai te oferecer é algo pequeno e de fácil digestão. Nem sempre vai ser algo agradável.

Algo que tem funcionado mais ou menos pra mim é manter uma pasta no meu leitor de feeds chamada “Feel good”. Essa pasta tem poucos feeds, mas são feeds que eu sei que vão ser bons quando eu estiver cansado, querendo dar uma risada. É melhor do que confiar que essa ou aquela torrente de informação vai me fazer bem.

 
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from ¯\_(ツ)_/¯

Alguns amigos comentaram o interesse de votar na candidata ao senado da Unidade Popular. Eu acho isso um grande erro.

Escolher senador é geralmente muito mais desgracento do que presidente ou governador. É eleição majoritária também, mas não tem segundo turno, então a pressão pra acertar de primeira e escolher o “menos pior que tem chance de ganhar” é maior.

E é bem mais difícil saber “quem tem chance de ganhar”. A eleição de senadores é o que gera menos interesse e debate. Geralmente tem debates intensos com relação aos cargos do executivo, e as pessoas decidem logo, e isso se reflete nas pesquisas. Já senador é algo que costuma ser meio ignorado até o último momento, e a pesquisa costuma dar uma falsa confiança.

Até que o pessoal tá levando a sério senador nesta eleição. Na última pesquisa que eu vi, 32% de intenção de voto no França, 16% no astronauta. Parece uma margem confortável. Parece que dá pra dar um voto simbólico prum partido nanico, sem grandes consequências. Mas a mesma pesquisa apontava 34% de votos indefinidos. Se metade disso decidir de última hora votar no astronauta, é o suficiente. E não tô nem considerando os outros votos, mais conservadores e à direita, que podem mudar pra ele.

É por isso que o Suplicy tantas vezes liderou a pesquisa de intenção de voto pro senado, mas não conseguiu ser eleito. Não confia demais na pesquisa, gente.

Se vocês gostaram da Unidade Popular, votem nos candidatos a deputado do partido. Partido pequeno tem que se fortalecer antes de querer cargo majoritário. O PSOL vem crescendo, não?

 
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from ¯\_(ツ)_/¯

Passando aqui pra avisar que tá tendo uma feira de livros no Jundiaí Shopping. Muito George Orwell, Júlio Verne, Arsène Lupin, entre outras coisas, por 15 real cada. Eu me segurei, peguei só o 1984. Tem também toneladas de coisa pra criança.

(Não é bizarro falar “Jundiaí Shopping” em vez de “Shopping Jundiaí”? Anglicismo, e anglicismo errado, porque gringo não fala “shopping”, gringo fala “mall”.)

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Preciso blogar mais. Tenho um monte de esboços aqui. E quero montar minha cápsula. Nem parece difícil.

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Acho que tenho uma boa idéia de em quem votar já. Pra presidento e governadoro, Lulo e Haddado. Acho que não tenho que explicar muito esses.

Pra senador, o que tem é o França. Não sei qual foi a necessidade de coligar com esse cara. Me parece um ninguém. Mas olha nas pesquisas de intenção de voto, quem tá em segundo e terceiro. Bora França, tá pouco França, manda mais França!

Pra federal, eu não tava tão feliz com o PSOL. Na última eleição, não consegui eleger o cara que eu queria, e o partido tem tendências beligerantes, e manda uns fake news ocasionais, isso me incomoda. Fui namorar a REDE, e achei tudo nhã. Tudo menos a Marina. Gosto da Marina. Gosto do jeito empolado que ela fala. Gosto que ela é conciliadora. Gosto que ela tá abraçando forte a renda universal do Suplicinho.

Ah, o Suplicinho. Sou capaz de votar nele pra estadual. Ele poderia muito bem concorrer a senador, agora que o antipetismo tá arrefecendo. Podia concorrer a federal. Não sei por que se limitou a estadual. Tá velhinho, deve estar querendo ficar mais perto de casa.

Veja bem, eu tô satisfeito com o Giannazi. Ótimo deputado, voto nele há dois mandatos já. Mas me anima a oportunidade de votar no Suplicinho. É um voto no PT, o que não é o ideal, mas ao mesmo tempo ele meio que é um espinho no pé do PT, um dos poucos caras TR00 do PT.

 
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from Angèle Lewis

[Laisse tomber]

Qu'est-ce qui te tient accroché·e Qu'est-ce qui se passe si Ça lâche

Sois sale gosse Embrasse de ta peau le ciel bleu azur Gave-toi de mûres Caresse les fleurs Chasse la peur Avec des talismans d'argent suspendus aux branches Laisse le temps Freine l'instant En grimpant sur un frêne Qui sème ses graines en hélico Au bord de l'eau N'aie pas crainte du baiser Envolé Des guêpes affairées à chercher Le sucre de tes lèvres

Tu te sens distordu·e comme les arbres fruitiers Mais regarde comme ils sont beaux Tous tes fruits que tu portes en collier

 
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from lebout2canap

À défaut d'avoir fini par écrire mon post sur Patrick's Parabox, voici un petit retour sur Lord Winklebottom Investigates. Je n'en avais absolument pas entendu parler avant sa sortie, et ceci malgré le kickstarter couronné de succès de 2019, mais quand j'ai pris connaissance de la sortie de ce point'n click : une enquête dans une ambiance années vingt, des animaux anthropomorphes, des voix so british pour 100 % des dialogues… j'ai craqué et ce jeu est passé devant tout mon backlog Steam 😅.

Et je ne le regrette pas, c'est d'ailleurs bien pour ça que j'écris ces quelques paragraphes. À noter que j'ai joué avec les sous-titres anglais. En effet, le jeu est intégralement doublé, mais uniquement en anglais, et je ne prétend pas être capable de tout comprendre d'oreille, et cela m'aura évité de passer à côté de quelques bons jeux de mots. J'ai également désactivé le passage automatique à la suite d'un dialogue, pour avoir le temps de comprendre certains mots et tournures de phrases bien vieillottes mais bien dans le thème.

Graphiquement, il est superbe. De ce que j'ai compris, chaque personnage et chaque scène ont été peints à la main. En tous cas le résultat est là. Les acteurs de doublage n'étaient pas là pour cachetonner, les voix sont vraiment excellentes et sont un gros plus à l'ambiance. L'humour est bien présent, j'ai explosé de rire plus d'une fois devant mon écran, et c'est suffisamment rare pour être signalé.

Le jeu est un peu court, je l'ai fini en dix heures, blocages sur certains puzzles inclus. Mais de ce fait je pense qu'il est très bien pour découvrir le genre du point'n click en 2022.

L'ergonomie est simple mais pas simpliste : si plusieurs actions sont possibles sur un item ou un personnage, le choix est donné après le premier clic, sinon la seule action possible est proposé directement. Le nombre d'actions possibles est limité (regarder, agir, parler) mais ont tout leur sens : pour moi un très bon compromis entre la générosité en actions possibles des point'n click à l'ancienne (qui s'expliquait de par leur origine qui plonge dans les jeux textuels) et le clic à tout faire qui peut s'avérer très limitant.

L'interface est simple et propre : la scène est libérée des deux personnages principaux offrant ainsi une très bonne lisibilité, et ceux-ci apparaissent en avant-plan pour dialoguer lors d'une action, accompagné d'un zoom sur la zone utile de la scène (comme dans un visual novel).

La progression et la difficulté des puzzles sont vraiment équilibrés. Par exemple, comme j'aime bien tout tester, et sans trop en dire, j'ai pu constater lors de la phase de tuto qu'un objet s'avérait inutile a posteriori mais pouvait mettre sur la voie ceux qui n'auraient pas la bonne idée du premier coup. Il est possible de progresser dans la résolution d'un puzzle en plusieurs étapes : quand on arrive à mettre en œuvre son idée, on sait tout de suite si on est dans la bonne direction, et ce qui bloque encore. Ce pattern assez classique, presque die and retry, mais toujours aussi efficace, est ici parfaitement maitrisé, et toujours aussi frustrant, mais une bonne frustration 😛.

À noter un point fort intéressant mais qui m'a joué de mauvais tours à plusieurs reprises de par mon habitude des point'n click classiques : notre personnage refuse parfois de s'encombrer d'un objet tant qu'il n'en voit pas l'utilité, il peut aussi passer à côté d'un détail en regardant des objets, là aussi parce qu'à ce stade ça ne lui évoque rien, il faut donc penser à y revenir quand on est en possession de nouvelles informations ! Exit donc le syndrome du « je ramasse tout d'abord, on verra bien après », on est obligé de se mettre à la place du personnage.

La fin est tout sauf décevante, et laisse la possibilité à une suite, pardon appelle à une suite, alors n'hésitez pas, qui sait, peut-être que si le jeu a du succès, une suite sera effectivement mise en route !

 
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from Angèle Lewis

[Autoportrait]

Je suis une caricature

Je suis féministe Lesbienne Végétarienne – souvent végan - J'ai des tatouages Les cheveux courts Des poils sous les bras – ma fierté, ils mesurent jusqu'à 5cm - Des poils sur les jambes Je ne porte pas de soutif Et aussi J'écris de la poésie

Je suis une caricature

Je suis écolo et je n'ai plus d'éponge ni de liquide vaisselle Les invité·e·s volontaires pour aider sont déçu·e·s Mais par chance Il y a encore du PQ Je suis écolo il n'y a pas de sopalin Je suis écolo il n'y a pas de mouchoirs Je suis écolo il n'y a pas de chocolat C'est tellement la décroissance Que j'ai peur de voir le nombre de mes ami·e·s Décroître aussi

Je suis une caricature J'écris de la poésie pour me renverser sur la page Que mes sentiments dégoulinent comme l'eau d'un vase De fleurs fanées J'écris pour m'épancher Pour éponger les émotions qui débordent Pour éviter l'implosion Et La gêne de grandes effusions Écrire pour cacher ses émotions aux yeux des autres, en faire un poème et le rendre public Pas toujours logique

Je suis une caricature Aussi Quand je tombe amoureuse Mon téléphone vibre dans ma poitrine A chaque message reçu L'imagination part en vrille ou en entrechat Je me fais des comédies musicales Avec des chansons d'amour Des dialogues aussi piquants que glissants Des caresses avec les ongles et la langue s'envolant Je succombe Et tout ça Sans que jamais vraiment la personne concernée ne soit mise au courant

Je suis une caricature J'ai la carrure D'une lesbienne qui aime les chats D'une végétarienne qui aime le tofu D'une poétesse qui aime Cécile Coulon D'une féministe qui aime avoir une bibliothèque débordante de livres théoriques qu'elle n'a lu qu'à moitié D'une amoureuse qui aime – tout court

Je suis Je suis Je suis Une caricature

Et ça vaut toujours mieux que d'être parfaite Ou encore rien du tout

 
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from Venteux

A shattered world in a shattered man — ah! which is the bird watching now?

 
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from Shinra

4h47

c’est une belle heure pour partager quelques mots non ?

Comment allez-vous ? Bien, j’espère !?

Nous voilà déjà en Juillet, les choses ont évolué depuis le dernier message. Il a bien fallu trouver quelque-chose pour rentrer des € , des unités monétaires non-libre (unl) vu que la #monnaielibre n’est pas encore hyper répandue à l’usage dans le coin… et que la banque ne semble toujours pas enclin à en accepter ^^ .

Fin du mois de février, j’ai commencé une formation de tôlier spécialiste « poids lourds » au sein du groupe Faurie , et dans un garage Renault Trucks à Saint-Georges.

Bon j’imagine que ça ne vous dit rien grand-chose ×

En gros, j’apprends la carrosserie et le lieu d’apprentissage est à 40km de la maison.

D’un côté, c’est pas mal, j’ai trouvé une formation payée et vu mon âge, c’est directement le smic (et non une fraction de celui-ci). De l’autre côté, et bien… je mets en valeur du capital.

En fait j’ai remarqué que ce taf est vraiment un mélange de choses assez hétérogènes, ou plus exactement, que mon projet de vie, dans lequel ce nouveau taf arrive, donne un ensemble assez hétérogène : je vise la sobriété énergétique MAIS je fais 80km par jour pour le travail . Je vise la moindre dépendance aux réseaux MAIS ce boulot est majoritairement tributaire des énergies fossiles et de l’électricité. Je vise un usage le plus répandu possible des #lowtech MAIS j’ai du matos « pointu ». Je vise le temps partiel salarié MAIS la formation de 14 mois se passe à temps plein.

Bref ce mélange des genres m’oblige parfois à me poser et me concentrer.

Par contre il y a deux constatations in-dé-nia-bles qui ont été faites

1° comme je mets du capital en valeur, ça semble être considéré comme un véritable travail ET à terme, dès l’embauche, le salaire sera plus important que celui que je percevais dans le médico-social au bout de 8 ans d’ancienneté. C’est moche, mais c’est comme ça -₋-

2° si il est plus difficile physiquement, il est beaucoup plus reposant psychiquement : quand l’heure de la débauche (oui, j’apprécie beaucoup ce sens là à ce mot ^^ ) arrive, je laisse absolument tout en plan sans me tracasser de savoir si la nuit va bien se passer et me demander ce que je vais bien devoir faire demain pour que ce soit mieux pour elle. Nan, la pièce travaillée s’en fiche complètement. Ça, pour le moment, ça n’a pas de prix.

Alors pour le moment, comme l’a dit une connaissance, je fais un peu le maître zen : le quotidien est vécu comme une expérience et un chemin à accomplir au mieux avec toutes ses imperfections, tentant de trouver du bagage utile à tout événement qui surgit.

Reste à savoir combien de temps mon sale caractère va résister à la chose ^^ .

Ha et il y a une autre chose de bien à cette aventure : je sais qu’elle a un terme prédéfini, 14 mois, pas plus. En juin 2023, c’est la quille et peut-être un certificat de qualification professionnelle dans la poche avec du bagage technique qui devrait partiellement pouvoir être réutilisable dans le projet d’ #autonomie

#travailsalarié

 
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from ¯\_(ツ)_/¯

O Parque da Cidade sempre me causou uma sensação estranha que eu não conseguia definir. Agora eu acho que sei: ele me dá uma sensação de shopping.

Mas cuma? Não tem nada a ver com shopping! Eu sei. Eu também tô tentando entender.

Eu penso que cada praça, cada parque tem uma personalidade diferente, me dá uma sensação diferente. A maioria das praças é frequentada por gente que mora perto, e isso dá uma certa vida pro lugar. Os shoppings também têm personalidades e sensações diferentes, mas em certa medida todos são artificiais, estéreis, elitistas.

O Parque da Cidade tá no meio do nada, perto de nada. Na frente, passa uma rodovia e, do outro lado dela, tem um condomínio de luxo.

Será que o povo do condomínio frequenta o parque, e dá um ar elitista? Mesmo se for, não é um simples passeio no parque. Não, com certeza eles não vão lá a pé; vão de carro, como quase todo mundo. Ir pro parque da cidade é uma coisa tipo (leia em voz robótica) “ei famílea domingo devemos irmos para o parque para desfrutarmos um lazer desportivo”.

Contrasta isso com aquela mesinha do lado terminal Rami. É um cantinho de nada, mas tem uma árvore e flores e plantas e é super bem cuidado e sempre tem velhinhos sentados à sombra conversando.

Que mais talvez? Muita grama e pouca árvore pro meu gosto? E o que é aquele concretão gigante perto da entrada?

Não sei bem, é só uma sensação. E é parcial. O Parque da Cidade ainda dá uma sensação menos desagradável do que qualquer shopping – mas surpreendentemente parecida.

 
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from Angèle Lewis

[Sauve qui pleut]

Que j'aime ce temps de pluie après la chaleur écrasante Tout vit et danse Personne ne peste Contre cette flotte qui tombe et arrose tout

Les oiseaux sont fous Ils pépient-pétillent Les fenêtres sont ouvertes comme par grand soleil Ouvertes comme des bouches Attirées par un verre d'eau après une trop longue randonnée

La lumière est si douce On a l'impression d'être invité·e chez des fantômes

Ça donne des envies de sieste Ou de lente observation du dehors Une envie de silence Pour entendre résonner les bruits d'eau Et mieux sentir encore les frissons Qui courent sur la peau

 
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from Sarita A

Ton doigt sur mon épaule

Ton doigt sur mon épaule Celui qui me dessine Divague en vagues sublimes Les courbes de mon corps

Ta bouche est en émois Attrape mon téton Je ne peux rester coi Tes doigts sur mon bouton

Moi je rêve de toi De moi sur ton ponton Tes baisers sur mon front Et je te ferai roi

Roi des oscillations De celles de nos chairs Vols en constellations Bien au-delà des mers

Sarita mai 22

#poésie #érotique

 
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from Sarita A

Mourir vieux (avec toi)

Tes boucles d’ébène Face à l’océan Contemplent la plaine Comme effleure le vent Sous les perles brunes Et les ciels d’ivoire Dans les mers, les dunes Où l’on vient s’asseoir On prendra le temps De tout voir D’aimer chaque instant Comme un dernier soir

Je veux mourir vieux Dans tes bras de soie Sous un ciel pluvieux Pour que l’on s’y noie Je n’ai qu’un seul vœu Avant l’au-delà C’est ton sel, ton feu Pour brûler ma voix

On dira jamais On dira toujours Comme en javanais On fera l’amour On brisera les chaînes De nos prisons d’or Du jardin d’Eden Pour tromper la mort On s’envolera Tout là-haut Emprunter les lunes Sombrer dans les eaux

Je veux mourir vieux Dans tes bras de soie Sous un ciel pluvieux Pour que l’on s’y noie Je n’ai qu’un seul vœu Avant l’au-delà C’est ton sel, ton feu Pour brûler ma voix

Dans les champs d’oranges De Galice et d’Andalousie Se suffire ensemble De délices et de fruits Se coucher à l’aube Rassasiés de la vie Dans le bleu, dans le mauve De l’éternelle nuit

Je veux mourir vieux Dans tes bras de soie Sous un ciel pluvieux Pour que l’on s’y noie Je n’ai qu’un seul vœu Avant l’au-delà C’est ton sel, ton feu Pour brûler ma voix

Tim Dup – Mourir vieux (avec toi)

#citation

https://www.youtube.com/watch?v=btID6EEsgQY

 
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from Sarita A

It’s not so much that I want to know God

As to be close to the spiral in the seashell,

To feel the wind as my own breath,

To let birdsong all the way in to my being, let my bones be the ledger lines for its dancing song.

It’s not so much that I want to know God

as to be reacquainted with the intimacies of the stars through remembering they’ve always shone from within the expansiveness of my own chest

It’s not so much that I want to please any Cosmic Authority as to be strong enough to finally hold every little girl still inside of me as she weeps old tears that were never held.

It’s not so much that I need a particular place of worship—

I want to flee less the majesty of each moment

that the humble door of my ancient heart be more willing to open to the wide beauty of the world.

My only prayer is to be excommunicated from ideology

and join the congregation of morning dew shimmering with enlivened mystery and freshness, replete with sparkling wonder

It’s not so much that I want to worship God

as for my devotional practice to be opening my body to the living scripture of Life’s movement as She dances Her desires through me

and to remember to say thank you with deep recognition for every small act of love that finds me.

It’s not so much that I believe in God as it’s been taught

but that all I desire is to serve the One Great Heart that lives within us all.” ~ Chelan Harkin Poetry

#poésie #citation

 
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from Mnémogrammes

Isolés enfermés reclus

sous des tonnes d'acier

nous tiendrons face à l'histoire

en imagination nous survolons la zone

immobiles

faucons crécerelles

à l'affût

entre les structures nous trouvons refuge

éphémères répits

sous des tonnes d'acier

résonances métalliques détonations

isolés enfermés reclus

les cheminées bravent les colonnes d'acier

nous serons libérés de nos espérances souterraines

édifice monumental aux replis multiples sacrifiés

nous glissons contre les parois des galeries mines graves énigmatiques

entrecoupées de silences rocheux

nous rêvons d'une vue aérienne

fidèles nous forgerons nos derniers souvenirs

ici sous terre entre le feu et l'acier

 
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